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Arquivo para janeiro, 2013

SEGREDO DA UNIÃO DURADOURA É SABER COMBINAR AMOR, DESEJO E TOLERÂNCIA

Muitos dos que se queixam de solidão e da dificuldade de encontrar um amor pensam que a vida a dois é feita somente de alegrias e prazeres. Claro que não é. Só conseguem ficar juntos por muito tempo, sem perder a qualidade do relacionamento, casais que, além de se amar e se desejar, aprendem a superar, com compreensão e lealdade, os obstáculos inevitáveis da vida conjunta.

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Quantas vezes nossa atenção não é despertada para o casal que permanece junto por muito tempo, transmitindo atmosfera de amor e diálogo, e um clima de solidez e estabilidade? Sai ano, entra ano, às vezes perdemos os eternos pombinhos de vista, mas eis que de repente ressurgem, amadurecidos, por vezes já grisalhos, e ainda juntos, com a mesma postura de união diante da vida. Não é só a longa duração do par que os distingue, mas a qualidade e a dignidade de sua experiência, resistindo a qualquer diagnóstico de tédio que os mais afoitos poderiam lhe aplicar. As seduções da pósmodernidade não os afeta.

A durabilidade da união, insisto, não é critério para medir seu êxito ou supremacia. Quantos casais não prolongam a convivência apenas por falta de opção, por injunções religiosas, econômicas ou familiares, ou simplesmente por seguir a máxima convencional de “ruim com ele (ou ela), pior sem…”, enfim! Não! Aquele casal que provoca em muita gente uma pontinha (ou até mais que uma pontinha) de inveja carrega o segredo de união não só prolongada, mas também amorosa — eu não diria estável, porque duvido que as relações escapem de alguma instabilidade. Ela lhes é inerente.

Ao contrário de uma idealização ingênua e romântica, essa união requer um “trabalho” — o que eu venho chamando de “o trabalho do casal”. Ele precisa “ralar” — e não apenas no sentido do rala-e-rola dos desejos sexuais. Estes poderiam não lhes render mais do que umas 9 e 1/2 Semanas de Amor, como no célebre filme de 1986, com Kim Basinger (59) e Mickey Rourke (50), espécie de Cinquenta Tons de Cinza, popularíssima obra soft erótica da britânica E. L. James (49), daquela época. Uma relação de 20 anos, por exemplo, tem mais de 1000 semanas, nas quais, para sobreviver, o amor não pode se limitar ao império dos sentidos, mas irá depender de uma interação muito mais abrangente, que envolve qualidades subjetivas, admiração pelo caráter e pelo temperamento do outro e tolerância, muita tolerância e compreensão. Numa relação assim, há um exercício constante de lealdade e fidelidade, foco na autoproteção frente a um mundo cheio de seduções a cada esquina, capacidade de suportar os sentimentos paradoxais de amor e desamor e, por fim, a profunda convicção, mesmo em eventuais momentos difíceis e dolorosos, de que, tal como a fênix, o desejo e o amor podem sempre renascer das cinzas, reacendendo a chama inicial, pois, se é verdadeiro, seus fundamentos nunca deixam de valer.

É verdade que a satisfação e a leveza precisam predominar, do contrário não fariam sentido as renúncias e as frustrações vividas pelo caminho. Sim, porque elas existem, embora nem todos os que se queixam de solidão e da dificuldade de encontrar um amor estejam dispostos a enfrentar esse outro lado da vida a dois, acreditando, ingenuamente, que esta não passa de um brinde mágico à alegria e ao prazer.

Isso não existe. Casais inteligentes permanecem unidos porque se enriquecem mutuamente, dia após dia, no sentido afetivo, existencial, conquistando a capacidade de viver uma vida estimulante. Casal inteligente é aquele que não se trava diante dos obstáculos, superando-os com criatividade e genuína afeição.

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Dinheiro, comida e aversão ao sexo – Novos tipos de dependência

 

Novos tipos de dependência devem aparecer na próxima versão do DSM-5

 
Yuri Arcur/Shutterstock
 

Na última década, vários estudos mostraram que pessoas se tornam dependentes de jogos da mesma forma que se tornam adictas de drogas e álcool. Além disso, se beneficiam do mesmo tipo de tratamento: terapia em grupo e retirada gradual do objeto de desejo. Estudos com neuroimagem revelam que dependentes químicos e jogadores compulsivos respondem à lembrança da droga e às recompensas monetárias de formas semelhantes: nesses pacientes, áreas cerebrais do circuito de recompensa são muito mais intensamente ativadas do que em jogadores eventuais ou em quem experimenta drogas pela primeira vez. O DSM-5 também pode incluir obsessões relacionadas à comida e ao sexo:

Transtorno de compulsão alimentar periódica

Consumir “quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas ingere em um período similar em circunstâncias semelhantes”; falta de controle sobre o que, quanto e quão rápido se come.

Transtorno hiperssexual

Necessidade sexual excessiva por pelo menos seis meses; uso frequente do sexo em resposta ao estresse ou ao tédio, sem levar em conta danos físicos ou emocionais para si e para outros, com interferência negativa na vida social e no trabalho.

Transtorno absexual

Excitação ao deixar de lado a prática sexual, comportando-se como se, moralmente, se opusesse ao sexo, com excessiva rejeição a tudo que faça alusão à sexualidade.

Postura x Estresse

Postura encurvada piora o humor

Andar de cabeça baixa favorece produção de hormônio relacionado ao estresse

Yuri Arcurs/Shutterstock

Endireitar os ombros e buscar uma posição que não torture tanto a coluna pode, além de evitar dores no futuro, ajudar a combater o mau humor. É o  que revela uma pesquisa da Universidade Estadual de São Francisco. O professor de educação física Erik Peper dividiu 110 voluntários em dois grupos: em um, todos deviam andar de cabeça baixa e ombros caídos por um corredor; no outro, os participantes deviam fazer o mesmo, mas com as costas eretas. Após a pesquisa, todos responderam a perguntas que avaliavam seu humor e satisfação com a vida. Segundo Peper, as pessoas que atravessaram o corredor com postura relaxada relataram mais cansaço, “falta de energia” e tristeza.

“Basta imaginar como nossos hábitos mudaram ao longo dos últimos 100 anos: passamos mais tempo sentados, e a maioria das pessoas se encurva ou afunda na cadeira em algum momento do dia, seja na mesa de trabalho ou vendo TV”, diz o pesquisador. Os resultados reforçam estudos anteriores que mostram que a postura encurvada está relacionada à maior produção de cortisol, o hormônio do estresse.

Mulheres bonitas x ser do bem : correlação

Tendemos a atribuir valores morais mais positivos às pessoas que achamos atraentes

 
Deborah Kolb/Shutterstock
 

Na maior parte dos contos clássicos, as heroínas são cheias de virtudes e, principalmente, jovens e atraentes, perfeitas para seduzir príncipes e despertar a inveja em bruxas e madrastas. Amplamente divulgado pela indústria cultural, o estereótipo de que “o que é bonito é bom” está arraigado em nosso inconsciente e influencia nossos julgamentos. Pelo menos é o que afirma um estudo da Universidade Hebraica de Jerusalém: depois de ver vídeos nos quais mulheres desconhecidas liam a previsão do tempo, voluntários tenderam a atribuir traços de personalidade e valores morais mais positivos às que achavam mais atraentes.

A pesquisadora Lihi Segal-Caspi e seus colegas recrutaram 118 universitários e os dividiram como “alvos” e “juízes”. O primeiro grupo respondeu a um questionário que avaliava sua personalidade e, em seguida, cada um deles gravou um vídeo no qual entrava em uma sala, olhando para a câmera, e lia em voz alta um texto sobre o clima. Depois, o segundo grupo assistiu às cenas e opinou sobre as pessoas que viu. De acordo com Lihi, os homens “juízes” conferiram às mulheres “alvo” características consideradas mais desejáveis, como sociabilidade, amabilidade e responsabilidade. “O mais interessante é que também as consideraram mais propensas a apresentar valores morais, como tolerância, independência e respeito”, diz Lihi. No entanto, como a pesquisadora relatou naPsychological Science, o julgamento não correspondeu à realidade: as respostas dos questionários mostraram que voluntárias consideradas belas tendiam mais ao egoísmo, à autopromoção e à conformidade.

A ciência e o medo

A ciência e o medo

Informações distorcidas pela mídia alimentam o pânico moral a respeito de temas polêmicos, como a maconha

Gonçalo Viana

A maior dádiva da ciência para a humanidade é a libertação do medo. Imagine por um instante nosso passado neolítico. Todos os dias era preciso conviver com medos terríveis: predadores letais, conflitos tribais, frio e calor, fome e sede, seca e enchente, sem falar do mítico medo da noite eterna, tão bem documentado entre o povo maia: o temor de que o sol um dia partisse e nunca mais regressasse. A ciência nasceu como técnica de controle da realidade e de seus inúmeros perigos, muitas vezes transformando a dificuldade em ferramenta. Pense no fogo, na fermentação dos alimentos e no uso medicinal de substâncias. Com a ciência veio a esperança de um futuro cada vez melhor, com mais conforto e segurança, menos sofrimento e medo.

Há cerca de 30 anos, surgiu um temor novo que ceifou milhões de vidas e instalou pânico moral na sociedade, conspurcando a beleza do sexo com a fobia de uma contaminação fatal. É o vírus HIV, capaz de deflagrar a pane imunológica que chamamos de aids. Estima-se que existam no planeta mais de 33 milhões de portadores de HIV, chegando a 25% dos cidadãos de certos países africanos. Na ausência de cura, grande esforço foi feito para informar a população mundial sobre os modos de prevenir a infecção. Também houve avanço no desenvolvimento de drogas antivirais capazes de estancar o curso da doença. Infelizmente tais drogas podem causar sérios efeitos colaterais, precisam ser tomadas ininterruptamente por toda a vida, e apresentam custo proibitivo para a maior parte dos pacientes.

Por essa razão, causa muita esperança e orgulho a descoberta de que anticorpos monoclonais podem ser usados para debelar o HIV. Realizado pelo grupo do brasileiro Michel Nussenzweig na Universidade Rockefeller (EUA), o estudo publicado na revista Nature aponta o caminho para uma terapia de aids mais segura, barata e duradoura. Permite também vislumbrar o dia histórico em que será anunciada uma vacina anti-HIV.

Medo e desesperança, por outro lado, emanam do artigo de capa da revista Veja de 26 de outubro. Alegando refletir as mais recentes descobertas científicas sobre a maconha, o artigo esforça-se por insuflar ao máximo o receio em relação à planta. Cita seletivamente a bibliografia especializada, simplifica e omite resultados, distorce e exagera sem constrangimentos para afinal concluir, nas palavras do psiquiatra Valentim Gentil, que “se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha”.

Em tempos de crack na esquina e cachaça a 3 reais o litro, não é preciso ser médico para perceber o equívoco da afirmação. O destaque dado à matéria contrasta com seu parco embasamento empírico, que ignora fartas evidências sobre o uso medicinal da maconha, a segurança de seu consumo não abusivo, a existência de alternativas não tabagistas e as consequências nefastas do proibicionismo. O bom nome da ciência não pode ser usado ideologicamente para propagar preconceitos e fomentar pânico moral. A ciência deve sempre ser usada em prol do gênero humano, para arrefecer seus medos e não suscitá-los.

Loja Duetto

 

Além da liberdade!

ficha do filme alem da liberdade“Além da Liberdade” é uma das cinebiografias femininas mais inspiradoras da atualidade sobre a luta da intitulada “A Orquídea de Aço.”

#Super indico esse filme!

#Felicidade

Felicidade é construída no dia a dia

Cultivar a gentileza aumenta e perpetua a sensação de bem-estar

KonstantinChristian/Shutterstock

Exceto para alguns poucos privilegiados, a felicidade raramente vem “pronta”. Em geral, ela é “artesanal” – construída dia a dia, a partir de uma escolha constantemente renovada – e compreende duas possibilidades complementares: o bem-estar atual, imediato, ligado ao momento presente; e o habitual, de longo prazo, que permeia várias instâncias da vida. A primeira forma pode ser descrita como uma experiência intensa de alegria. Inclui o desejo sexual, assim como todos os outros tipos de satisfações sensuais e vivências flow – ou seja, o mergulho intenso e a entrega a uma atividade prazerosa. A sensação de relaxamento quando nos sentamos na varanda, na hora do pôr do sol, após um dia duro e produtivo de trabalho, ao lado da pessoa que amamos, e colocamos as pernas para cima ou o frescor estimulante que experimentamos durante um banho em uma cachoeira são exemplos de felicidade atual. Nesses casos, surge uma sensação agradável que alguns psicólogos chamam de “afeto positivo”. Muitas pessoas já descobriram que conseguem se motivar para realizar tarefas desagradáveis ao antecipar em sua mente a sensação boa que as preencherá após o término bem-sucedido da atividade.

Embora muita gente subestime sistematicamente os detalhes e as pequenas gentilezas tanto na vida privada quanto na profissional, um meio bastante eficiente para ampliar o próprio bem-estar é investir em afetos positivos no convívio social, expressos por meio de um sorriso, um elogio sincero ou palavras gentis. O problema é que muitos aprenderam a se relacionar segundo princípios que lhes parecem lógicos: “Se eu gosto de você, não preciso lhe dizer; quando não gostar mais, então eu lhe digo” ou “Não reclamar é o mesmo que elogiar”. Será mesmo?