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Arquivo para junho, 2013

A inteligência é flexível

A inteligência é Flexível

A Inteligência é Flexível

:: Rosana Braga ::

 

Quanto mais endurecido e inflexível, mais fácil de quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria –fisicamente constatável– não vale apenas para os objetos, mas, sobretudo e cada dia mais, para o comportamento humano. 

 

Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a resiliência e também mote para o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

 

Fácil assimilar quando entendemos que não dá para crescer na rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas medidas e aos novos formatos. Sendo assim, inteligente é quem aprende a metamorfosear. É notório que no mundo corporativo, a busca é cada vez mais enfática por profissionais capazes não de aceitar as diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento, mas –acima de tudo– de celebrar essas diferenças. Já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças necessárias, evoluir e se tornar melhor justamente por causa do que lhe é adverso.

 

 Há alguns anos, desenvolvendo pesquisas sobre o que chamo de Inteligência Afetiva, constatei como é latente a falta de flexibilidade nos dias de hoje. Isso me levou a debruçar sobre uma questão fundamental e esquecida na atualidade: a gentileza. Não descobri nenhum segredo; a evidência já estava aí, porém, adormecida: pessoas gentis são flexíveis… e poderosas! Este trabalho resultou no livro O Poder da Gentileza. 

 

É incrível como ainda há quem aposte que investir nas relações humanas não é o comportamento mais eficaz para os que ambicionam altos cargos ou grandes fortunas. Estes, certamente, desconhecem o poder da gentileza. O Movimento pela melhoria das relações interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza (World Kindness Movement) – cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)– declara que pessoas gentis são mais valorizadas no mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.

 

 A gentileza e, por conseqüência, a flexibilidade e a tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Qual é a razão para tamanha insatisfação? 

 

Estou certa de que, em última instância, não se trata de aumento de salário ou posição hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata, pode apostar! Portanto, embora as habilidades técnicas sejam imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão pessoal.

 

As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil é essencialmente uma escolha do indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou seja, a gentileza é um exercício diário!

 

 7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho: 

 

1) Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema. 

 

2) Evite julgamentos e ações precipitadas. Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde. 

 

3) Peça desculpas. Isso pode evitar conflitos maiores e salvar relacionamentos. 

 

4) Valorize o que a situação e o outro têm de bom. Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.

 

 5) Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida. 

 

6) Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do problema.

 

7) Faça justiça. Esforce-se para compreender o outro e não para ganhar, como se eventuais discussões fossem jogos ou guerras.

 

 

Aprender a expressar a sua afetividade pode fazer toda a diferença em sua vida. Seja no ambiente de trabalho, em sua casa ou no seu relacionamento íntimo, o afeto é a chave para entrar no mundo, no coração e nas boas intenções de uma pessoa. 

 

Todos nós estamos fartos de carrancas, mau-humor e pessoas que não sabem se comportar de maneira sociável. Portanto, cada vez mais, sobressaem-se aqueles que reconhecem a importância de um sorriso, uma dose extra de paciência, um carinho gratuito e desinteressado, enfim, aqueles que sabem levar a vida com leveza tornando o ambiente mais agradável à sua volta. 

 

É claro que, vezes ou outras, temos problemas, preocupações e nem sempre nos sentimos dispostos a exercitar nossa afetividade. Entretanto, até mesmo nesses momentos, caso sejamos realmente pessoas amorosas, encontraremos um ombro amigo e o apoio do qual tanto necessitamos de maneira muito mais rápida, eficiente e sincera. 

 

Pouco importa o papel que você desempenha; pouco importa onde você esteja. Pouco importa se você é chefe, subordinado, profissional liberal, casado, solteiro, pai, mãe, filho ou esteja numa festa, em casa, no trabalho ou na rua, a esmo. O que realmente vai fazer a diferença crucial é a maneira como você enxerga a vida e as pessoas, é o modo – carinhoso ou indiferente – com que você trata cada uma que fizer parte daquele momento vivido. 

 

Baseado nisso foi criado o conceito de Inteligência Afetiva. É uma qualidade nata, o ser humano é um ser afetuoso, em busca de amor. Necessitamos do outro para nos sentirmos presentes, atuantes, vivos. No entanto, deixamo-nos anestesiar pela rotina e pelo medo de não sermos aceitos. Assim, perdemos essa capacidade de expressar nossos sentimentos mais brandos e profundos, simplesmente para nos sentirmos seguros e protegidos.

 

Relacionar-se sempre bem com as pessoas faz com que sua vida ganhe um novo sentido, um novo valor. E, sobretudo, é o afeto que você sente e demonstra que lhe conduzirá às melhores oportunidades para o seu sucesso e a sua felicidade.

Por que pedir desculpas é tão difícil ?

  Quando não há arrependimento, deixar de se desculpar pode fortalecer a autoestima

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Pedir perdão é um desafio – principalmente se, no fundo, você não está arrependido e está fazendo isso apenas para amenizar uma situação. Em um estudo publicado no European Journal of Social Psychology, o psicólogo Tyler Okimoto, da Universidade de Queensland, na Austrália, pediu que 228 voluntários escrevessem sobre um episódio em que acreditavam ter prejudicado alguém. Eles deviam contar se haviam pedido perdão à pessoa e como se sentiram sobre isso depois. Segundo Okimoto, aqueles que se recusaram a pedir desculpas se sentiram, ao falar sobre isso, com a autoestima fortalecida.

Em um segundo experimento, com 219 pessoas, também solicitadas a pensar em uma ocasião em que agiram mal com alguém, os pesquisadores orientaram um terço delas a escrever um e–mail pedindo desculpas e outro terço a argumentar por que não iria fazê-lo. As demais formaram o grupo de controle, que somente imaginaria o episódio. Mais uma vez, o segundo grupo se revelou psicologicamente fortalecido. Conclusão dos autores: desculpar-se sem achar realmente justo pode até melhorar o convívio social, mas pode ser um verdadeiro golpe na autoestima.

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