…Informação para Refletir e Crescer…

Arquivo para julho, 2012

Psicopata na Sociedade

O mundo é dos psicopatas

Eles são sedutores, não dá para saber do que são capazes. Já me relacionei com uma psicopata assassina sem ter idéia

WALCYR CARRASCO

Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)
WALCYR CARRASCO
é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas de televisão 

Vivo encontrando psicopatas. Não me espantei quando li as notícias sobre o recente massacre nos Estados Unidos, protagonizado por James Holmes, de 24 anos, cujos disparos atingiram 70 pessoas numa sala de cinema, 12 delas mortas. Já me relacionei com uma psicopata assassina, sem jamais suspeitar. Há muitos anos, morei uma temporada no México. Vivia com uma amiga, Regina, em Cuernavaca. Regina era produtora de espetáculos e rapidamente se relacionou com um grupo de cantoras local. Uma delas, cujo nome prefiro ocultar por delicadeza, era uma garota simpática que nos convidou a vê-la no bar de um hotel local. Nunca esqueci aquela noite luxuosa para meus padrões na época, pois, sabedora de nossa difícil situação financeira, a cantora ofereceu as bebidas. Voltei ao Brasil sozinho. Anos depois, Regina reapareceu com a novidade. A cantora matara o namorado, um americano. E o esquartejara na banheira do quarto de hotel! Depois, espalhara os pedaços pela Cidade do México. Crime muito semelhante ao recentemente ocorrido em São Paulo. Foi presa e nunca mais soubemos dela. Até hoje não consigo entender: como aquela garota risonha foi capaz de esquartejar o namorado?

Essa é a grande questão sobre os psicopatas: são sedutores. Não se percebe do que são capazes até quando algo tremendamente terrível acontece. Li faz pouco um belo livro,Precisamos falar sobre Kevin, da americana Lionel Shriver. Ela conta, do ponto de vista da mãe chocada, a trajetória de um garoto que se torna serial killer – o livro foi também adaptado para o cinema, com direção de Lyanne Ramsay. A mensagem final é de desesperança. Percebe-se que não havia nada a fazer, desde o momento em que Kevin nasceu, a não ser aguardar a tragédia. Tive o privilégio de conhecer, socialmente, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva, autora deMentes perigosas – O psicopata mora ao lado. Com ela, entendi que a psicopatia não tem cura, pois o sujeito não tem nenhum sentimento em relação ao outro. Eis um caso verdadeiro: a avó de um garoto negou alguma coisa que ele queria. Uma bobagem qualquer. O anjinho botou o gato da vovó no micro-ondas e ligou.

Eles são sedutores, não dá para saber do que são capazes. Já me relacionei com uma psicopata assassina sem ter ideia

Um grande número de psicopatas, porém, não chega ao extremo, como atesta Ana Beatriz. Simplesmente, usa os outros. Não quero me fazer de vítima do mundo. Talvez por ser autor de novelas, eu atraia um número grande de personalidades com um traço doentio. São pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para conquistar a fama – que, no Brasil, se traduz em conseguir um papel na televisão. Com frequência, alguém se aproxima oferecendo amizade. Até há pouco tempo, eu era um tanto ingênuo. Acreditava. Muitas vezes a amizade acabou subitamente, com acusações e raiva, quando não ofereci em contrapartida um papel na próxima novela. Só então eu descobria: o objetivo não era a amizade, mas entrar na TV!

Eis o outro lado da moeda: ser psicopata até certo grau é uma característica valorizada pela sociedade. Há alguns anos, falava-se na lei de Gérson, “levar vantagem em tudo”. A expressão saiu de moda, mas no cerne continua valendo. As crianças são educadas não para amar, mas para vencer o próximo. O que importa é subir na vida, ser rico, doa a quem doer. Quando escrevi a novela Morde & assopra, na TV Globo, minha colaboradora, Cláudia Souto, propôs que o prefeito e sua mulher dessem um golpe na merenda escolar. Quase rejeitei a ideia. Pensava que ninguém seria capaz disso. Por coincidência, pouco depois vários escândalos com a merenda escolar pipocaram pelo interior de São Paulo. O corrupto rouba na merenda. Na conta de hospitais. Sabe que gente passará fome, até morrerá por causa de seus atos. Pouco importa, na lógica psicopata. Muitos altos executivos colocam a empresa acima de tudo, até das relações familiares. E daí, se ganham bem?

Meu sobrenome é Carrasco. Por ser de origem espanhola, não significa que algum de meus antepassados enforcasse alguém profissionalmente. Mas cresci com o peso que um nome desses carrega. Há anos, em Lisboa, descobri um Pátio do Carrasco. Lá morava, no passado, justamente o… carrasco, em português. Olhei as casas simples, imaginei aquele homem, brincando com as crianças, trazendo um pão para o jantar. Se alguém lhe perguntasse sobre seu cotidiano de mortes, ele responderia:

– É minha profissão.

Ninguém se engane. A falta de sentimento pela dor alheia tornou-se uma vantagem no mundo dos negócios e da política. O psicopata é um vencedor.

Contribuição : Bruna Vasconcellos – PE.

-Cicatrização-

É momento de cicatrização…

 
O que eu posso, eu não posso como quero!
Eu posso com menos possibilidades.
Se eu não posso modificar a vida, quero deixar que a vida me modifique.
Se eu não posso mudar o acontecimento,
então eu quero que o acontecimento me modifique.
Isso é reconciliar os contrários.
Isso é descobrir a sabedoria da possibilidade.
Não é do jeito que eu quero,
mas vai ser o jeito que pode!
E aí o meu coração se meche assim como o organismo busca forças
para reconciliar a carne e cicatrizar aquele lugar que está ferido.
Todo o meu organismo se meche,
se volta para aquela urgência. Todo o meu coração se move na tentativa de descobrir
o significado para a vida naquele instante.
E se a gente obedece a essa regra da cicatrização do momento,
a gente acorda melhor no outro dia. Sabe porque?
Porque a ferida parou de sangrar um pouco.
Não significa que a dor deixou de existir dentro de nós,
não significa que o problema deixou de existir, não!
Só que há um jeito diferente de lidar com ele agora,
e eu preciso descobrir que em cada momento da minha vida
há uma ferida a ser cicatrizada,
há uma reconciliação a ser realizada.
E essa é a sabedoria do Evangelho.
Abrir os nossos olhos para que, nós possamos descobrir
qual é a necessidade de cicatrizar hoje.
O que dentro de mim, hoje, eu não tenho direito que amanheça amanhã sangrando
Porque eu preciso cuidar!
Hoje você não tem o direito de ir dormir sem pensar naquilo que você precisa cicatrizar dentro de você.
Mova seu coração, mova os seus sentimentos, mova sua inteligência na direção daquilo que em você precisa ser cicatrizado.
Não amanheça amanhã do mesmo jeito que você amanheceu hoje.
Não permita que a vida aconteça amanhã para você e que ela lhe encontre do mesmo jeito que você estava hoje.
Permita o movimento da cicatrização!
Permita o movimento da reconciliação!
Contribuição : Gracivanda Ferreira – PB.

Sistema de Recompensa

Quando tudo dá errado
Após a primeira frustração, o sistema de recompensa passa a alimentar (e se adaptar a) expectativas negativas – a saída é tentar encontrar outras fontes de satisfação
© GONÇALO VIANA

Tem dias em que nada dá certo. O telefone celular, embora não surdo, fica mudo; o teleatendente da operadora lhe garante que o lugar onde o aparelho foi comprado será capaz de trocá-lo na garantia, mas, depois de atravessar a cidade para chegar à tal loja (que se recusa a divulgar um telefone para contato, então não há jeito senão ir até lá), você descobre que a informação era equivocada: você precisa ir a uma assistência técnica – e ao tentar telefonar para agendar uma visita você é deixado em espera na linha por looongos minutos. No mesmo dia descobre que as informações que recebeu para emplacar o carro novo não procedem. Assim, é preciso esperar ao menos uma semana para sair da cidade – ou seja, nada daquele passeio tão aguardado às montanhas no sábado.

Nesses momentos parece sair uma fumacinha do cérebro e ai de quem passar pela frente. Maldita hora (às vezes, literalmente) em que o cérebro vê suas expectativas positivas serem afundadas, uma a uma: o telefone não volta a funcionar, revela-se impossível reunir a papelada necessária para emplacar o carro e nada de passeio com a família no fim de semana.

É isto a frustração: a sensação negativa, física e mental, com que o cérebro registra o não cumprimento de uma expectativa positiva (ou mesmo várias, de uma só vez). Mas, por pior que seja o sentimento – na verdade, justamente por ser ruim –, ele tem sua função. Acusar com indignação que o esperado e aguardado não aconteceu é tão importante quanto registrar com prazer o cumprimento de uma expectativa positiva, função do sistema de recompensa.

É assim que aprendemos com os próprios erros, falta de preparação, expectativas infundadas, ou a dura realidade da vida, mesmo. A frustração é o sinal para que o sistema de recompensa atualize suas expectativas. Por sinal, vem daí nossa predisposição para achar que, após a primeira frustração, todo o resto também dará errado: de um estado otimista, animado por expectativas positivas, o sistema de recompensa passa ao pessimismo. Alimentada pela frustração, a nova expectativa é que tudo o que pode dar errado… dará errado.

Funciona como um sistema de autossabotagem. Frustrado e cheio de expectativas negativas, seu cérebro acaba poluindo suas emoções com mau humor e suas ações com agressividade, e colocando palavras grosseiras na sua boca, que não o ajudam em nada a ser bem atendido ou receber ajuda e solicitude dos outros. Assim como gentileza gera gentileza, frustração gera frustração, e expectativas negativas fomentam resultados negativos.

A não ser que… você consiga usar aquela outra capacidade extraordinária do cérebro, o insight; se flagrar em plena espiral descendente de autossabotagem; e virar o jogo a seu favor. Como? Encontrando, a jato, outras fontes de satisfação.

Por exemplo, um sorvete de chocolate na saída do banco. E puxa, sua loja favorita voltou a ter aquele casaquinho lindo, vermelho, que você deixou de comprar meses atrás. E por fim, você lembra que adora seu carro novo, as montanhas não sairão do lugar tão cedo, e aliás, seu carro agora toca música do seu iPod – por exemplo, aquela hilária, dos anos 80, que você volta para casa cantando às gargalhadas, berrando sozinha dentro do carro o refrão mais inusitado da história da MPB, imortalizado por Fausto Fawcett: “Calcinha!”. Não há frustração que um bom prazer alternativo não cure.

A importância do Ócio

Entenda a importância do tempo “ocioso” para o seu

cérebro

Ana Carolina Prado 3 de julho de 2012

Você, caro leitor, tem problemas para se concentrar e sente que é cada vez mais difícil dar conta de todas as tarefas do dia a dia? Experimente cultivar um novo hábito: o de deixar o smartphone de lado, desligar a TV e o computador e deixar seu cérebro descansar e ter devaneios (ou sonhar acordado) à vontade.

A pesquisadora e professora de educação, psicologia e neurociência na Universidade do Sul da Califórnia, Mary Helen Immordino-Yang, escreveu um artigo com outros colegas que trazia um levantamento da literatura científica existente da neurociência e da ciência psicológica explorando o que significa quando o nosso cérebro está ‘em repouso’.

O trabalho foi publicado na edição de julho do periódico “Perspectives on Psychological Science” e aponta que, quando estamos descansando e focados em nosso mundo interior, nosso cérebro entra no chamado “modo padrão” ou “default”. A atividade desse modo default está ligada aos componentes do nosso funcionamento socioemocional, comoautoconhecimentojulgamentos morais, desenvolvimento do raciocínio e construção de sentido do mundo que nos rodeia. Falando nisso, outra pesquisa recente, feita na Universidade da Califórnia em Santa Barbara, concluiu que ter devaneios realmente melhora a produtividade e ajuda na resolução de problemas.

Immordino-Yang e seus colegas expressaram preocupação com o fato de que os ambientes urbanos e virtuais (redes sociais cabem muito bem aí) têm exigido demais de nossa atenção. Para eles, isso talvez esteja minando oportunidades de reflexão e pode ter efeitos negativos sobre o nosso desenvolvimento psicológico.

A importância do tempo “ocioso” para o aprendizado e memória

Para Immordino-Yang, a reflexão e o silêncio podem ser muito importantes também para oaprendizado e memória. “O foco para dentro afeta a maneira como construímos memórias e sentidos e o modo como transferimos o que aprendemos para novos contextos”, explica. Ela defende que as escolas incentivem o aluno a se voltar para si mesmo, o que pode ajudar na consolidação do aprendizado em longo prazo. “O equilíbrio é necessário entre a atenção exterior e interior, já que o tempo gasto com a mente vagando, refletindo e imaginando também pode melhorar a qualidade da atenção externa que as crianças podem sustentar”, completa.

Segundo os autores, talvez a conclusão mais importante a ser extraída de pesquisas sobre o cérebro em repouso é o fato de que isso não significa uma ociosidade negativa – pelo contrário, é fundamental para aprendermos com as experiências. Estudos já indicaram que, quando as crianças têm tempo e habilidades necessários para a reflexão, muitas vezes se tornam mais motivadas, menos ansiosas, têm melhor desempenho em testes e passam a planejar o futuro de forma mais eficaz.

(via Medical Xpress)

Porque algumas pessoas gostam de filmes tristes?

Por que gostamos de filmes tristes
Voluntários se consideraram mais satisfeitos com a própria vida depois de assistir cenas sobre a infelicidade alheia
© Divulgação

Na tela, um jovem soldado queima de febre segurando nas mãos o retrato de sua amada. Enquanto isso, em outro país, ela trabalha como enfermeira na esperança de reconhecê-lo entre os doentes. É difícil não se comover com o destino dos mocinhos do drama Desejo e reparação (2007) – da mesma maneira que é improvável não sentir uma pontinha de satisfação por não passar por situação semelhante. É o que revela um experimento feito por psicólogos da Universidade Estadual de Ohio.

Eles exibiram trechos do filme para 400 universitários, de ambos os sexos, que responderam a um questionário sobre realização pessoal. Em geral, os voluntários se consideraram mais felizes depois de assistirem às cenas. Segundo os pesquisadores, a infelicidade alheia os fez refletir sobre os próprios relacionamentos e a valorizá-los.

#O dever de afeto e a patologia da verdade.

O dever de afeto e a patologia da verdade
Grande parte do sofrimento decorre da impossibilidade de nomeá-lo; profissionais que atenderam pessoas atormentadas por segredos sabem o peso do que não é dito
© GONÇALO VIANA

Nos anos 60 a francesa Françoise Dolto (1908-1988) revolucionou a psicanálise da infância com uma ideia tão simples quanto eficaz: devemos contar a verdade para as crianças. Depois de anos experimentando efeitos deletérios de mentiras, ocultações e demais práticas adultas de negação da verdade, Dolto percebeu como grande parte do sofrimento experimentado por alguém decorre da impossibilidade de nomeá- lo. Tese complementar: a criança sempre sabe. Aquele que atendeu famílias corroídas pelo segredo, pessoas atormentadas por sua orientação sexual, crianças de quem se esconde uma adoção – destinos cercados por fantasias inadmitidas – sabe o peso que se acumula na verdade que não se diz. E esse peso é ainda maior quando o tempo coagula a verdade atribuindo a ela valor e potência que não se dilui, nem se troca, nem se desloca – sua lei maior, que é a do reconhecimento compartilhado. O direito à verdade torna-se um paradoxo quando nos faz supor a existência daquele que seria seu representante fiel e executor. São os pais diante dos filhos, os amantes e os amigos entre si, as testemunhas diante do ato, as instituições por todos nós, a transmissão da cultura em seu limite. Nada mais perigoso do que alguém que nesta tarefa quer nomear positivamente toda a verdade. Ou seja, ao direito de verdade corresponde um tipo de dever que poderíamos chamar de dever contingente. O dever de dizer no tempo certo, para aquele a quem esta verdade concerne, seguindo a prudência de que toda a verdade não pode ser dita, como argumentava Lacan, porque isso é impossível, faltam as palavras.

É preciso coragem para dizer esta verdade, ainda que não toda. Depois de décadas de desconstrução e de relativismo multiculturalista em teoria social parece cada vez mais claro que a verdade é uma categoria incontornável da vida ética e desejante. Contudo, ela deve ser abordada pelas vias do negativo. Posso não saber o que é a verdade em todos os casos, seu código universal ou a língua soberana na qual ela está escrita, mas sei reconhecer o mal-estar naquele silêncio, naquele capítulo em branco de minha história, naquela palavra esquecida, naquele gesto que não veio. Esse mal- -estar precisa de um nome para se tornar sofrimento e como tal ser tratado, reconhecido e recomposto. Um grão de verdade que se dispersará em novos saberes e diferentes narrativas. Por isso quando se argumenta que a Comissão da Verdade, recentemente instituída parainvestigar violações ocorridas no período militar, não funcionará porque não tem poderes para prender e processar os culpados, percebe-se esta lógica que pensa que a verdade sem força de lei é impotente e que reduz o direito ao código dos deveres obrigatórios. A justiça não é o direito porque este exclui os deveres contingentes.

É este dever contingente que está em jogo quando um pai recebe ordem judicial para pagar determinada quantia como reparação por não ter “reconhecido afetivamente” sua filha, ou quando se estipula que a prole tem uma espécie de direito natural ao afeto de seus pais. Mais além das obrigações de segurança e dos encargos com a manutenção e administração da vida, fica claro que há aqui uma patologia da verdade. Nada mais certo para provocar o ódio do que o imperativo universal e obrigatório para amar. Além de contraproducente, nos parece insensato que a lei, no sentido do direito, obrigue alguém a amar. E nos soa irrisório que codifiquemos o amor em uma série de comportamentos procedimentais. Portanto, não conseguimos estabelecer de forma necessária e positiva o que vem a ser o direito ao afeto. Quando o fazemos geralmente temos uma patologia incipiente ou em progresso. Mas isso não quer dizer que não seja possível reconhecer, sem dúvida ou hesitação, quando estamos diante de uma transgressão, seja em relação ao dever de verdade ou de direito ao afeto. E estes não se reparam apenas juridicamente pela coerção ou prescrição, mas por meio de palavras e atos de reconhecimento.

Sair da rotina faz bem ao cérebro!

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O cérebro é muito inteligente, mas preguiçoso. Seu maior veneno é a rotina
Ilustração: Érika Simona/NE10

Do NE10

Diante da pressão do dia a dia, volta e meia as pessoas querem dar um suspiro de novidade e sair da rotina. O que  muitas não sabem é que, além de relaxante, fazer algo novo ou de um jeito diferente é saudável para o cérebro.

Pesquisa realizada pelo Albert Einstein College of Medicine e a Universidade de Syracuse, em 2007, com 469 pessoas, apontou que a prática de exercícios mentais reduz índices de vários tipos de demência. Leitura, jogos de tabuleiro, tocar instrumentos musicais e dançar são estimulantes para o cérebro.

Segundo a pesquisa, ao aprender novas coisas, neurônios são produzidos e novas conexões são estabelecidas em um processo chamado neuro-plasticidade. Assim, cada um pode realizar atividades para estimular o desenvolvimento das células cerebrais em uma verdadeira malhação.

O engenheiro Antonio Carlos Guarini Perpétuo, criador do grupo Supera – Ginástica para o Cérebro, diz que o cérebro é muito inteligente, mas preguiçoso: “Seu maior veneno é a rotina”. É como se fosse um computador que pode armazenar vários dados, mas que para processar informações rapidamente precisa de exercícios.

As técnicas de estimulação cerebral são várias e há locais especializados para treinar o raciocínio, como os Kumons que surgiram no Japão e estão espalhados hoje por diversas partes do mundo, e o próprio grupo Supera, mas, para quem não tem tempo de se dedicar a um “treino” diário, basta incorporar pequenas mudanças no dia a dia. De acordo com Antonio Carlos Guarini, as pessoas precisam sair do piloto automático e refletir sobre o que fazem. Para isso, basta pegar um caminho diferente para ir de casa para o trabalho, comer com a mão com a qual não se está acostumado ou realizar qualquer outra tarefa do dia-a-dia de maneira diferente – o que vai exigir maior concentração.

De acordo com a pesquisa, realizar algo de um jeito novo parece ser o jeito mais eficaz de exercitar o cérebro. Atividades que utilizam diferentes tipos de estimulação sensorial e ações fora da rotina  produzem mais das substâncias que estimulam o crescimento de novos dendritos e neurônios no cérebro. As práticas podem até diminuir a incidência de doenças como o Alzheimer.